Objeto misterioso fez estrela "sumir" do céu


Estrela "sumiu" do céu e deixou os astrônomos sem entender nada


Uma estrela gigante que fica localizada a uma distância de milhares de anos-luz da Terra teve um dos eclipses mais estranhos que já foram registrados pela humanidade. Por cerca de 200 dias, a estrela simplesmente sumiu e perdeu toda a sua luz visível.

O mais interessante sobre o fenômeno é que ele não ocorreu aos poucos. Ela simplesmente escureceu e voltou a brilhar novamente depois de um tempo. Mesmo depois de anos, os pesquisadores ainda não conseguem entender o que realmente aconteceu com ela.


A estrela gigante praticamente sumiu


A VVV-WIT-08, como foi batizada, foi vista pela primeira vez durante o levantamento VISTA, que observava as diversas Variáveis da Via Láctea. Esse projeto visa observar e estudar o brilho das estrelas. Segundo as primeiras observações, o objeto estaria no centro da Via Láctea, a cerca de 25 mil anos-luz. A estrela também chamou atenção pelo seu tamanho impressionante. Ela teria aproximadamente 100 vezes o tamanho do nosso Sol.

Mas foi em 2012 que algo inesperado realmente aconteceu. A estrela perdeu, do nada, cerca de 97% do seu brilho. Não se tratava apenas de uma pequena variação de luz, que é normal para as estrelas. Parecia que algum objeto muito grande havia passado diante dela e bloqueado quase que totalmente a sua luz. Esse eclipse chegou a durar aproximadamente 200 dias e o objeto que fez o bloqueio parecia ser bastante escuro e grande o suficiente para cobrir uma estrela desse porte.


O que poderia ter escondido a estrela?


A primeira possibilidade que os cientistas consideraram é a de que a própria estrela havia sofrido mudanças internas que poderiam ser capazes de gerar essa alteração. Algumas estrelas conseguem variar de forma natural a porcentagem de sua luminosidade. Elas passam por pulsações e outras reações que podem diminuir ou aumentar o brilho. Porém, ninguem conseguia explicar bem o que havia acontecido.

Outra possibilidade poderia ser a passagem de um objeto escuro entre a Terra e a estrela. Porém, para isso acontecer por acaso, era preciso existir uma quantidade muito grande desses objetos vagando por essa região. Com o tempo, os pesquisadores passaram a considerar uma hipótese diferente: talvez o responsável pelo eclipse estivesse ligado gravitacionalmente à própria estrela.

Nesse cenário, a VVV-WIT-08 poderia fazer parte de um sistema binário, acompanhada por outro objeto que possuiria ao redor de si uma enorme estrutura de poeira e detritos. Algo semelhante já foi observado em outros sistemas estelares, embora nenhum deles apresente exatamente as mesmas características.


Um disco de poeira pode ser a resposta?


Uma das comparações utilizadas pelos cientistas é a Epsilon Aurigae, um sistema em que uma estrela é parcialmente eclipsada por uma companheira cercada por material empoeirado. A ideia parece interessante, mas existe um problema.

A poeira normalmente não bloqueia todos os tipos de luz da mesma maneira. Alguns comprimentos de onda conseguem atravessar esse material com mais facilidade. No caso da VVV-WIT-08, entretanto, as observações indicaram um bloqueio muito uniforme, inclusive em diferentes comprimentos de onda.

Isso sugere que o objeto responsável pelo fenômeno pode ser muito mais opaco e organizado do que uma simples nuvem de poeira. É justamente esse detalhe que torna o caso tão difícil de explicar.


E se houver um buraco negro?


Outra possibilidade levantada pelos pesquisadores envolve um dos objetos mais extremos do Universo: um buraco negro. A ideia não significa que o buraco negro teria engolido a estrela. O cenário seria diferente. A VVV-WIT-08 poderia ter uma companheira extremamente compacta, cercada por um grande disco de material escuro.

Se esse disco atravessasse nossa linha de visão no momento certo, poderia bloquear a luz da estrela por meses. O problema é que estruturas desse tipo ainda não foram observadas diretamente. Portanto, trata-se de uma hipótese possível, mas que permanece sem confirmação.

Também foram consideradas outras companheiras, incluindo estrelas comuns e restos de estrelas antigas, como anãs brancas. Até agora, porém, nenhuma dessas explicações consegue responder perfeitamente a todos os detalhes registrados.


Um mistério que continua aberto


O movimento aparente da estrela pelo espaço, por exemplo, levantou dúvidas sobre sua distância e velocidade. Algumas interpretações chegaram a indicar uma velocidade extraordinariamente alta, capaz de permitir que ela escapasse da própria Via Láctea. Isso mostra como estudar objetos tão distantes pode ser complicado. Pequenas incertezas nas medições de distância ou movimento podem alterar completamente a interpretação de um fenômeno.

Por enquanto, a explicação mais plausível envolve algum tipo de companheiro invisível cercado por material capaz de bloquear a luz da gigante. Mas não existe uma resposta definitiva. A hipótese de uma megaestrutura alienígena, que naturalmente seria a mais fascinante para o público, também já foi mencionada em discussões sobre o caso. No entanto, não existem evidências suficientes para tratá-la como uma explicação científica real.

O que resta é um fenômeno raro, observado apenas uma vez em anos de monitoramento. A VVV-WIT-08 continua sendo um daqueles objetos que lembram aos astrônomos que, mesmo depois de décadas estudando o céu, ainda existem acontecimentos no Universo que desafiam as explicações mais conhecidas.